Lost in Space


Connie (Nia Vardalos) e Carla (Toni Collette) são duas irmãs que desde crianças adoram cantar e dançar, imitando números de musicais da Broadway. O problema é que ninguém acha graça no que elas fazem. Até que um dia elas testemunham um assassinato -- como Jack Lemmon e Tony Curtis em Quanto mais quente melhor, atualmente em cartaz em São Paulo, e como Whoopi Goldberg em Mudança de hábito -- e como esses outros personagens, são obrigadas a fugir e se disfarçar para não serem reconhecidas pelos bandidos. A solução que elas acabam encontrando, onde juntam o útil ao agradável, é se disfarçarem de drag queens -- ou seja, como Julie Andrews em Vitor ou Vitória, elas fingem ser homens que se vestem de mulher, e assim alcançam o sucesso, ao finalmente encontrar o público que aprecia o tipo de show que elas fazem. O único problema é que, como em todo e qualquer filme sobre troca de identidade sexual, pelo menos uma delas se apaixona por um homem hetero que não sabe que ela é mulher.

Pelas citações acima dá pra perceber que não há nada de original em Connie e Carla - as rainhas da noite, mas seu encanto está em não somente admitir isso como inclusive inserir uma citação explícita de Yentl, o filme em que Barbra Streisand também fingia ser homem. A comédia escrita por Nia Vardalos e dirigida por Michael Lembeck não tem nenhuma pretensão à originalidade, e esse é seu maior mérito. Mas enquanto diverte, o filme também tenta passar a costumeira mensagem de tolerância, não só em relação aos homossexuais que se travestem -- através do personagem de David Duchovny, que se vê obrigado a rever seus preconceitos ao tentar reatar um relacionamento com seu irmão, a drag queen Peaches (Stephen Spinella) -- mas também a favor das mulheres que não se encaixam exatamente no massacrante padrão de beleza vendido pelos meios de comunicação. E essa mensagem é ainda mais autêntica quando se sabe que tanto Nia Vardalos, em Casamento grego, quanto Toni Collette, em O Casamento de Muriel, já interpretaram mulheres que tentam ser felizes e atraentes mesmo não tendo uma beleza de capa de revista.

De quebra, há um ótimo elenco de coadjuvantes que inclui algumas drag queens de verdade e uma participação luxuosa de Debbie Reynolds interpretando a si mesma. Merece destaque o ator Boris McGiver como Tibor, o gangster que acaba se viciando em musicais ao procurar por Connie e Carla em todos os teatros da Broadway. E diga-se que, embora o filme gire em torno da personagem de Nia Vardalos (claro, afinal ela é a autora do roteiro!), Toni Collette dá um banho de interpretação, além de ficar muito mais convincente de drag queen.

Com vários números musicais que incluem de Cabaret a Cats, passando por Jesus Cristo Superstar, Evita e Chorus Line, Connie e Carla é diversão certa para quem curte uma comédia sobre identidades trocadas, sem grandes pretensões: ideal para um domingo à tarde.



Escrito por will robinson às 20h08
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