Lost in Space


Imagine ir ao cinema para assistir a um filme elogiado pela crítica, dirigido por um conceituado diretor e estrelado por alguém como Nicole Kidman, Julia Roberts ou Sharon Stone. Aí, passados vinte minutos de filme a heroína é violentamente assassinada e o resto do filme é levado pelo elenco coadjuvante. Estranho e surpreendente, chocante talvez? Pois foi isso mesmo que Alfred Hitchcock fez em Psicose, um filme que permanece como uma das maiores obras-primas da história do cinema, cuja estrela, Janet Leigh, faleceu essa semana.

Janet Leigh era uma estrela popular na época, casada com o igualmente popular Tony Curtis, com quem teve a filha Jamie Lee Curtis. Dizem que a cena do assassinato em Psicose foi um divisor de águas na história do cinema, não só pela ousadia do diretor em matar sua estrela logo no começo da história, mas também pela violência da cena em si, rodada em preto-e-branco para que o vermelho do sangue escorrendo pelo ralo da banheira não chocasse os espectadores mais sensíveis. Dizem, aliás, que o sangue cenográfico era chocolate...

Apesar dos mais de quarenta anos do filme, a cena do assassinato em Psicose permanece como uma referência na história do cinema. Janet viveu 77 anos, fez filmes importantes antes e depois de Psicose, inclusive A marca da maldade, de Orson Welles, e também escreveu livros, tanto autobiográficos quanto de ficção. Lembro-me de ter visto um romance dela, traduzido em português, sobre algo como a vida de uma estrela de Hollywood por trás da fama, mas não me pareceu interessante o suficiente para querer lê-lo. De qualquer forma, dificilmente estaria eu agora falando dela, ou teria a imprensa lhe dedicado tanto espaço, não fosse sua participação no genial filme de Hitchcock.

Uma questão interessante seria perguntar se qualquer outra atriz no mesmo papel teria tido o mesmo efeito. Certamente Hitchcock diria que sim, ele que acreditava mais no talento do diretor e do montador que na expressão do ator. Para dar um exemplo, o diretor inglês dizia que mesmo um grande ator como James Stewart dependia totalmente da montagem do filme: se ele aparecesse sorrindo e a cena seguinte fosse de uma criança brincando, o espectador acreditaria que James era um homem bom, que gostava de crianças. Porém, se depois do mesmo sorriso aparecesse uma mulher tomando banho, nua, a impressão do espectador em relação ao personagem seria totalmente diferente.

Seja como for, a "estrela" que Janet Leigh teria sido antes de Psicose há muito teria se apagado, se um Sol chamado Alfred Hitchcock não a tivesse iluminado para sempre. Janet Leigh, descanse em paz.

P.S.: Recadinho para quem se aventurar a ler os arquivos deste blog: por questão de limites de armazenamento de imagens, estou tendo de apagar imagens de posts mais antigos para que os novos possam continuar a aparecer devidamente ilustrados, e assim a história do Lost in the movies não se repita... Obrigado!



Escrito por will robinson às 18h12
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