Lost in Space


Depois de tanto tempo sem escrever aqui, tenho vários assuntos acumulados para compartilhar. Mas vou começar pelo mais recente, afinal estamos na semana de Natal e falar de um filme natalino depois do Natal perde a graça.

Fui assistir O Expresso Polar para conferir as inovações técnicas tão comentadas. Trata-se de um estranho híbrido entre animação e filme com atores. O diretor Robert Zemeckis utilizou a técnica chamada de "motion capture", que consiste em capturar os movimentos de atores para utilizá-los na criação de personagens por computador, a mesma técnica usada para criar o personagem Gollum na trilogia O Senhor dos anéis. Mas Zemeckis capturou também as expressões faciais de seus atores, mudando assim o nome da técnica para "performance capture". É essa técnica que permite que Tom Hanks interprete nada menos do que seis personagens neste filme, incluindo o garoto protagonista.

No entanto, é preciso dizer que esse tour de force do oscarizado ator não trasnsmite necessariamente mais expressividade às figuras do desenho, que muitas vezes parecem tão inexpressivas quanto aqueles bonequinhos da antiga série Thunderbirds. Assim, o forte desse filme são as imagens deslumbrantes do trem em movimento, com movimentos de câmera de fazer cair o queixo e saltar os olhos.

A história: garoto que deixou de acreditar em Papai Noel é convidado a embarcar no Expresso Polar, trem que parte para o Pólo Norte a tempo de encontrar o bom velhinho antes que ele parta em seu trenó a distribuir presentes. A trama lembra um pouco o clássico A fantástica fábrica de chocolates, com sua mensagem moralista de premiar as crianças no final conforme seu desempenho durante a aventura.

Confesso que minha atitude diante de O Expresso Polar foi um tanto esquizofrênica. Explico: parte de mim se lembrou da criança que fui e que ainda se esconde em algum recanto oculto do meu ser. Essa criança adorava o Natal e se deliciava com as histórias em quadrinhos e os desenhos animados que se passavam nessa época, devido à Magia envolvida e àquele cenário de neve tão distante da nossa realidade, o que tornava tudo aquilo ainda mais encantador. Essa criança teria se deliciado com O Expresso Polar.

Já o meu Eu adulto, um homem cético e extremamente racional, se irritou um pouco com o proselitismo religioso embutido no filme. Sim, pois uma interpretação possível do filme é de que Papai Noel representa Deus, e a mensagem insistente durante todo o filme de que o garoto deve acreditar em Papai Noel sem questionar, nada mais é do que uma mensagem subliminar de conformismo e alienação.

Assim, se você, adulto, vai ou não se emocionar com este filme, depende do grau de comunicação que você mantém com sua criança interior. Descobri que a minha anda meio truncada.

E se depois de dizer tudo isso, os votos de um agnóstico que não acredita em Papai Noel significam algo para vocês, um Feliz Natal a todos!



Escrito por will robinson às 20h23
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