Lost in Space


Um espectador mais desavisado que fosse ver Closer -- Perto demais por causa do elenco, que inclui Julia "Uma linda mulher" Roberts, Jude "Capitão Sky" Law, Clive "Rei Arthur" Owen e Natalie "Princesa Amidala de Star Wars" Portman, talvez esperasse uma comédia romântica ou algo do gênero. Nada mais longe da realidade: trata-se de um dos filmes mais adultos e complexos sobre relacionamentos já realizado. Os diálogos de Patrick Marber, autor da peça original, são cruéis e desmistificadores, os protagonistas se comportam com uma sinceridade agressiva e cortante, o que paradoxalmente não significa que eles também não mintam para os outros e para si mesmos, às vezes até sobre suas próprias identidades. Não é à toa que tenho ouvido comentários de pessoas decepcionadas com o filme, talvez por que esperassem algo mais romântico ou menos cru. As pessoas não estão acostumadas a tanto realismo. A coisa mais próxima a Closer que eu lembro de ter visto são os dois filmes de Arnaldo Jabor sobre relacionamentos: Eu te amo e Eu sei que vou te amar. Só que Jabor ia um passo além ao incorporar os delírios de seus personagens ao relato, enquanto o filme de Mike Nichols, com toda a sua teatralidade e sua ênfase nos diálogos, chega a ser doloroso de tão realista.

E é só o que vou dizer sobre o filme, primeiro porque não me sinto capacitado para uma análise mais profunda, e depois porque este é o tipo de filme que quanto menos você souber antes de entrar no cinema, melhor. Então em vez disso vou falar sobre John Mayer, um jovem cantor e compositor americano que tenho ouvido muito atualmente. E qual a relação, vocês vão perguntar? Acontece que várias das canções de John Mayer falam de relacionamentos em todas as suas fases -- antes, durante e depois -- com uma maturidade surpreendente em alguém tão jovem quanto ele. Recentemente assisti seu DVD Any given Thursday, registro de um show em Birmingham, Alabama, no qual John a certa altura, entre uma canção e outra, conta sua teoria a respeito da importância das palavras num relacionamento, a qual tentarei reproduzir aqui de memória, com minhas próprias palavras:

A IMPORTÃNCIA DAS PALAVRAS SEGUNDO JOHN MAYER

Pois é, tudo começa quando você consegue o telefone daquela pessoa em quem está interessado e conversa vai, conversa vem, diz que gostaria de sair com ela ou ele. "Eu gostaria muito", é a resposta. Bum! "Eu gostaria muito", essas três simples palavras, te fazem levitar, te levam ao céu. Aí depois de algum tempo, em outra conversa telefônica, você diz: "Estive pensando em você", e ouve a resposta: "Eu também". Pronto! Agora "Eu gostaria muito" não significa mais nada, agora o lance é "Estive pensando em você". Passa um tempo, você diz ao ser amado: "Estou apaixonado por você". Vejam só: nesse momento você apaga "Eu gostaria muito" e "Estive pensando em você", agora o que importa é "Estou apaixonado por você." Depois de semanas ou meses você diz "Eu te amo", mas o efeito dessas palavras dura pouco tempo, porque aí o outro ou outra começa a perguntar: "Você me ama mesmo? então diz! então repete! então diz de novo!" e aí você começa a exagerar: "Eu te amo mais do que tudo", "eu quero casar com você", " eu quero te impregnar do meu amor", até que você se sai com essa: "Ah, eu queria que o dicionário tivesse outra palavra ainda mais forte que AMOR, porque AMOR já não consegue descrever a intensidade dos meus sentimentos por você!" Só que quando o amor acaba começa "Eu te odeio", "eu te odeio mais do que tudo", "eu queria nunca ter te conhecido", e aí as palavras já não funcionam mais.

Moral da história: nunca, mas nunca mesmo, subestime a importância de "Eu gostaria muito..."

Why Georgia

(John Mayer)

I am driving up 85 in the
Kind of morning that lasts all afternoon
just stuck inside the gloom
4 more exits to my apartment but
I am tempted to keep the car in drive
And leave it all behind

Cause I wonder sometimes
About the outcome
Of a still verdictless life

Am I living it right?
Am I living it right?
Am I living it right?
Why Georgia, why?

I rent a room and I fill the spaces with
Wood in places to make it feel like home
But all I feel's alone
It might be a quarter life crisis
Or just the stirring in my soul

Either way I wonder sometimes
About the outcome
Of a still verdictless life

Am I living it right?
Am I living it right?
Am I living it right?
Why Georgia, why?

So what, so I've got a smile on
But it's hiding the quiet superstitions in my head
Don't believe me
When I say I've got it down

Everybody is just a stranger but
That's the danger in going my own way
I guess it's the price I have to pay
Still "everything happens for a reason"
Is no reason not to ask myself

If I am living it right
Am I living it right?
Am I living it right?
Why Georgia, why?

Este blog entra agora em recesso até depois do carnaval, já que estarei viajando em Recife e Maceió. Bons festejos de Momo a todos!



Escrito por will robinson às 20h42
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